terça-feira, 13 de junho de 2017

A indigesta dieta brasileira


Singular é o momento político que vive o Brasil. A literal guerra existente entre grupos contrários, os quais discutem sobre o impedimento da presidente da república e sobre o impacto da Operação Lava Jato ao alcançar grandes personagens idolatrados por uns e odiados por outros, tem tomado proporções preocupantes.
 Esses grupos estão divididos da seguinte forma: Quem é a favor da saída do atual governo é chamado de coxinha, quem é contra, mortadela. Claro que cada adjetivo tem um sentido justificável ao olhar de seus pares (Recuso-me a discutir sobre como surgiram tais alcunhas). E é nítida a ideologia de cada um dos dois: Se você for um coxinha, você é um golpista elitista, no entendimento dos mortadelas. Em contrapartida, se você for um mortadela, você é um vendido, o qual apoia o governo em troca benefícios sociais e/ou quantias ínfimas, no entendimento dos coxinhas. Com esses rótulos, cada grupo cria o seu próprio “Ad Exstirpanda”, execrando os hereges de opinião adversa.
Ocorre que estamos no meio de uma guerra político-gastronômica, na qual quem está inchando é o Brasil. Em meio a tantos coxinhas e mortadelas, nosso país está à beira de um infarto socioeconômico. Não se vislumbra preocupação alguma com coisas mais saudáveis, como por exemplo, o grande abacaxi da economia, que deve ser urgentemente descascado e deglutido para que possamos sair do fundo do poço. Só pra esclarecer a importância dessa mudança de dieta, existe previsão de que a dívida pública brasileira chegue a 91% do PIB para 2021 e a estimativa para 2016 é de uma recessão de 3,8 pontos percentuais. Mas, infelizmente, esse abacaxi ninguém quer resolver, preferem coxinhas e mortadelas.
É preciso mais disposição para digerir o pepino da reforma fiscal, o tomate da reforma tributária, o pimentão da reforma eleitoral, dentre outros temas. Esses, se forem incluídos no cardápio de deliberações, poderão trazer benefícios à saúde do nosso país. Entretanto, é preciso fazer uma boa higienização, pois o impiedoso agrotóxico da corrupção deve ser expurgado para que não continue impregnado nas nossas entranhas.
Temo apenas que, se passarmos muito mais tempo preocupados com salgados e com embutidos, só nos restem a gordura e o lixo.


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