Singular é o momento político que
vive o Brasil. A literal guerra existente entre grupos contrários, os quais
discutem sobre o impedimento da presidente da república e sobre o impacto da
Operação Lava Jato ao alcançar grandes personagens idolatrados por uns e
odiados por outros, tem tomado proporções preocupantes.
Esses grupos estão divididos da seguinte
forma: Quem é a favor da saída do atual governo é chamado de coxinha, quem é
contra, mortadela. Claro que cada adjetivo tem um sentido justificável ao olhar
de seus pares (Recuso-me a discutir sobre como surgiram tais alcunhas). E é nítida
a ideologia de cada um dos dois: Se você for um coxinha, você é um golpista
elitista, no entendimento dos mortadelas. Em contrapartida, se você for um
mortadela, você é um vendido, o qual apoia o governo em troca benefícios
sociais e/ou quantias ínfimas, no entendimento dos coxinhas. Com esses rótulos,
cada grupo cria o seu próprio “Ad Exstirpanda”, execrando os hereges de opinião
adversa.
Ocorre que estamos no meio de uma
guerra político-gastronômica, na qual quem está inchando é o Brasil. Em meio a
tantos coxinhas e mortadelas, nosso país está à beira de um infarto
socioeconômico. Não se vislumbra preocupação alguma com coisas mais saudáveis, como
por exemplo, o grande abacaxi da economia, que deve ser urgentemente descascado
e deglutido para que possamos sair do fundo do poço. Só pra esclarecer a
importância dessa mudança de dieta, existe previsão de que a dívida pública
brasileira chegue a 91% do PIB para 2021 e a estimativa para 2016 é de uma
recessão de 3,8 pontos percentuais. Mas, infelizmente, esse abacaxi ninguém
quer resolver, preferem coxinhas e mortadelas.
É preciso mais disposição para
digerir o pepino da reforma fiscal, o tomate da reforma tributária, o pimentão
da reforma eleitoral, dentre outros temas. Esses, se forem incluídos no
cardápio de deliberações, poderão trazer benefícios à saúde do nosso país. Entretanto,
é preciso fazer uma boa higienização, pois o impiedoso agrotóxico da corrupção
deve ser expurgado para que não continue impregnado nas nossas entranhas.
Temo apenas que, se passarmos
muito mais tempo preocupados com salgados e com embutidos, só nos restem a gordura
e o lixo.
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