Conta a lenda que um velho carpinteiro, chamado Gepeto, queria tanto ter um filho, que decidiu fazer um boneco de madeira com a aparência de um menino, no qual deu o nome de Pinóquio. Em um belo dia, uma fada atendeu o desejo do velho carpinteiro, dando vida ao boneco de madeira. Apesar de não ser um garoto de verdade, Pinóquio logo agira como tal, se metendo em encrencas por desobedecer a seu criador e sua consciência, representada na fábula por um grilo falante. Pinóquio amava mentir. Cansada de suas mentiras e depois de livrá-lo de muitos apuros, a fada impôs uma maldição a Pinóquio: toda vez que ele falasse alguma mentira, seu nariz cresceria. Pinóquio era muito teimoso, e mesmo com o alerta da fada ele continuava mentindo, e seu nariz, continuava crescendo. De tanto mentir, o nariz de Pinóquio crescera desmesuradamente. Ninguém acreditava mais em Pinóquio. Tragicamente, quando Pinóquio resolveu falar a verdade numa situação de perigo, ninguém o acreditou. Quem se arriscaria? Mas como em todo conto de fada, Pinóquio aprendeu a lição, se tornando um menino bom e obediente, que só falava a verdade. Como recompensa, a fada transformou Pinóquio em um menino de verdade, e o velho Gepeto, Pinóquio e o Grilo Falante viveram felizes para sempre!
E hoje?
Imagine se todo mundo que mentisse sofresse o mal de Pinóquio, tendo como punição o crescimento do nariz. Sinto dizer, caro leitor. Infelizmente, teríamos uma nação de narigudos!
A mentira está em toda parte. Está no aluno que ao chegar em seu lar, diz aos pais que “hoje não teve dever de casa”, na professora que não corrigiu as provas porque “não teve tempo”, na secretária que chega atrasada todos os dias em seu trabalho e diz que foi “por causa do engarrafamento” e no patrão mesquinho, que nega aumento de salário pra sua empregada por que isso estaria “fora do orçamento”. Todos mentem, e, por conseqüência, todos teriam um nariz de Pinóquio. Mas será que a mentira é mesmo ruim? Para saber, precisamos primeiro entender o que é uma mentira.
Segundo o Dicionário Brasileiro Globo, mentira “é o ato de mentir, afirmação contrária à verdade, falsidade, persuasão falsa”. Diante de tal gentil definição, limito-me a dizer que a mentira é uma escória, a aversão da sinceridade, o chorume da desonestidade. A mentira é responsável pelos maiores “males” da sociedade. Foi por causa de uma mentira - dita pelo Diabo e engenhosamente proferida através de uma serpente - que o primeiro casal humano perdeu o privilégio de viver para sempre no Jardim do Édem. Foi por meio de mentiras absurdas que líderes religiosos judaicos prenderam, julgaram e mataram injustamente o filho de Deus. É claro que sempre irão existir aqueles defensores da mentira, dizendo que uma mentirinha aqui ou ali não faz mal a ninguém. Já outros, não somente defendem a mentira, mas também fazem dela um meio de trabalho. São viciados usuários da mentira. Estes são nossos políticos. Opa! Alto lá! É com a devida vênia que eu peço a você, caro leitor, mil desculpas pela pecha que acabo de cometer! Minha querida mãe sempre me ensinou que nunca devemos chamar uma pessoa de mentirosa, mesmo que essa pessoa seja um político, mesmo que seja um político brasileiro! Graças a Deus, a educação que meus pais me deram foi suficiente para que eu não me tornasse um boçal e por isso, devo me retratar. Nossos ilustríssimos políticos não mentem, eles apenas sofismam. Sofisma é um raciocínio falso, com certa aparência de verdadeiro. É um argumento capcioso, enganoso. Nossos honestíssimos políticos são exímios na arte de sofismar. Tomem como exemplo a reação do Excelentíssimo ex-presidente da República Federativa do Brasil, senhor Luiz Inácio Lula da Silva, ao ser indagado sobre o mensalão. Mensalão foi um escândalo de compra de votos para o favorecimento de políticos na aprovação de projetos e cargos, que teve um envolvimento efetivo da alta cúpula do PT (Partido dos Trabalhadores), cujo principal idealizador e fundador foi o próprio Lula. Em depoimento no Palácio Central, nosso inocente e desinformado ex-presidente afirmou, repetidas vezes, em alto e bom som, que “não sabia de nada” do que estava acontecendo e, ainda, tomaria as medidas cabíveis para que, em colaboração com a justiça, os envolvidos fossem investigados e punidos. Isso é o que me deixa mais indignado! Nossos singelos e puros políticos, além de sofismadores, são extremamente soberbos, não sentem o mínimo de receio em subestimar tão corajosamente a inteligência e memória do povo brasileiro. Quero deixar claro que não sou filiado de nenhum partido político, nem tenho preferência por nenhum candidato. O exemplo do mensalão foi com objetivo estritamente crítico, nada político. Até porque, se fôssemos mencionar todas as falcatruas que permeiam o cenário da política nacional, acredito que “todos os rolos do mundo não seriam capazes de contê-las”. Enfim, se o travesso Pinóquio vivesse em nossos dias, com certeza faria de tudo para se transformar em boneco de madeira novamente. Afinal, em comparação com nossos políticos, Pinóquio seria um café pequeno.
Li semana passada e adorei, deixei de fazer comentário, pois não achei justo a citação do mensalão, mas no próprio texto me diz que foi só um exemplo, o que acredito, como dizes nem todos os rOlos do mundo serião capaz de conte-las rsss. É tão verdadeiro meu amigo, vivemos num país de mentiras e mentirosos, que geralmente estão no poder, que por vezes nós mesmos colocamos com nosso voto. Precismos urgentemente da verdade em nossas vidas. Meu amigo muito bem ler por aqui, és um sábio e generoso ao compartilhar conosco este belo blog.
ResponderExcluirps. Carinho respeito e abraço.